sexta-feira, 29 de agosto de 2014

fim do verão!

Amigos e amigas,

Quero-vos adiantar algumas sugestões para o outono que está aí à espreita, com várias boas notícias e uma menos boa.

Vamos às boas:

O livro ENSAIO SOBRE O COMPRIMENTO DO SILÊNCIO está aí e vamos apresentá-lo em vários locais. Havemos de divulgar no blogue todos os pormenores, mas vão contando com Açores em Setembro e Continente em Outubro.

Em dezembro vou lançar o meu novo livro POESIA REANIMADA (teoria geral do amor) uma antologia dos últimos seis anos: também aqui vão aparecer pormenores e detalhes exclusivos.

Em março vou publicar o livro POEMAS VESTIDOS com a colaboração de vários artistas...

Ainda na primavera de 2015 sairá uma edição especial do livro que acabou de ganhar o Prémio de Poesia Manuel Maria Barbosa du Bocage 2014, a obra PEQUENO LIVRO DE ELEGIAS.

Acham bem?

Quanto à notícia menos boa... o projecto A DIVINA COMÉDIA anotada e comentada vai ficar suspenso, quem sabe à espera do natal de 2015 para ser publicado, se correr bem. Este blogue vai andar mais pobrezinho de poesia, mas mais rico de partilhas, acreditem.


Grande abraço e bom fim de verão, vosso, Daniel.

domingo, 10 de agosto de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

a bainha vai de férias, até às próximas chuvas




por motivos tão vários e ricos em potássio e ómega 3, a bainha vai de férias, até às próximas chuvas, com a certeza de uma surpresa.

aproveitem a luz, é tanta e de graça!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

ADC:aec / Your Daddy's Car




pegamos nos adereços de um filme magnifico e fomos repetir as cenas perfeitas, com o grão da memória passado a cores, com o destaque das nossas vozes e a altura das nossas imperfeições. como nos filmes, o fim da tarde demorou o que quisemos, mesmo no coração do inverno, com a destreza de nunca termos frio e o sacrilégio de não envelhecermos.

terça-feira, 1 de julho de 2014

ADC:aec / To Die A Virgin



prometeste-me uma casa com mais portas que janelas, um jardim com mais bancos do que árvores, um mar com mais azul do que o céu. prometeste-me uma mão com a chave da poesia, uma cintura com os frutos do verão, uma boca com a água a dar conta da minha sede. prometeste-me uma camisa sem vincos, um cão que vivesse cem anos, um amor que em vez de cair, subisse por nós acima, alastrasse pelos livros, coasse a tristeza do tempo passar. 

(to be continued)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

ADC:arc / A Woman of the World





ela tornou-se uma estrela, todos a vêem, agora. deixou de ser o meu poema preferido, que não é possível um poema ser lido por tantos e haver tantos a pôr a mão onde apenas cabia a palavra perfeita.

ADC:aec / Commuter Love





há tantas pessoas no mundo que não podemos saber se todas elas existem, se calhar somos apenas uma dúzia de seres indigentes, aqueles que notamos à espera do comboio, aqueles de quem o perfume nos diz se é inverno ou verão, aqueles a quem o amor engana. se calhar o mundo é mais pequeno do que julgamos, cabe em cinco minutos de uma manhã a apear-se para o trabalho, com a dúzia de pessoas que nos hão-de esclarecer o mistério de termos acordado.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

ADC:aec / Don't Look Down





a cidade fica plana quando chega a noite, voamos quando pomos os braços no ar, reinamos sobre as sombras, as palavras soltas dos jornais, as montras que nunca deixam de vender. contamos as pedras que faltam na calçada, choramos do espaço que devia ser verde e pairamos no miradouro, a contar as vezes que a água enche o estuário. voamos quando pomos a boca a falar o que ia atrasado no nosso coração, e a cidade cada vez mais plana, tão plana que escorrega para dentro dos nossos bolsos e nós a crescer com a música que passa pelos nossos olhos.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ADC:aec / Someone




o amor é uma palavra, apenas, a encher o vazio das garrafas, se elas vão com uma mensagem de esperança, na deriva de um endereço volátil.


ADC:aec / When a Man Cries




vês como parti o meu brinquedo preferido, como não adiantou esperar a tarde toda pelo comboio, como o bolo se acabou sem ninguém me avisar? vês pela minha cabeça afundada no enorme livro do silêncio, pela forma como desapareço mesmo à tua frente, pelo pó acumulado na mesinha de cabeceira? vês como caí pelas escadas e os meus pedaços a corar debaixo dos móveis, como tudo é um navio calado à espera de naufragar?

ADC:aec / Assume The Perpendicular





decidi crescer com a minha ideia fabulosa, criar-me como uma árvore, saltar à frente quarenta anos e ser alto e respeitado, com um jardim à minha volta a convidar os cães e os almoços de verão. podia ser uma torre em bolonha, uma montanha nos ombros da cordilheira, um cometa a sair da terra, mas como abrigar, depois, o pássaro feliz?


ADC:aec / Bath






o som que o mar faz quando chega a casa é igual ao teu nome, quando pronunciado, de dentro para fora.

terça-feira, 24 de junho de 2014

ADC:aec / If




se fores o caminho eu serei a vereda que te ladeia. se fores a noite eu serei o candeeiro que te vela, se fores o dia, ainda assim, continuarei aceso, não vá o verão fechar-se, de repente. se fores uma árvore, eu serei a chilreada feliz, a sombra que arredonda a suculenta bondade da tarde. se fores deus, eu serei o altar, a rosácea e a cruzada pacífica que te toma o lugar no paraíso. se fores um cavalo, eu sei que arranjarei forma de te pôr asas e contrariar a fé dos incrédulos e se fores um cão, uma libélula, uma folha de hera perdida, não importa a língua com que nos desentendemos, eu serei apenas o poema que te espera.





segunda-feira, 23 de junho de 2014

ADC:aec / In Pursuit Of Happiness





ponho-me à janela, com os braços tão longos que passaram a perna dos gerânios, a ver se chegas, com a fanfarra do verão a pôr festa à tua frente e atrás de ti apenas a parte do bilhete que diz que só pagaste a vinda. eu digo precisamente uma coisa e faço outra, fecho-me no quarto, sem ninguém, a olhar para a parte de mim que acontece, neste poema.

domingo, 22 de junho de 2014

ADC:aec / The Booklovers




herberto hélder diz a morte sem mestre, eça de queirós não acaba o romance, fernando pessoa diz em frente ao espelho. gil vicente quer o purgatório de volta, camões quer regressar ao oriente, bocage quer morrer dentro da garrafa. eugénio de andrade sabe de cor o nome das oliveiras, saramago sabe pôr glicínias na ilha árida, josé luís peixoto sabe dar a volta ao mundo. florbela espanca quer morrer antes de nascer, antero de quental quer tirar a pedra da cabeça, camilo pessanha quer contar a água do mundo. e eu quero estar com eles, quando tiverem sede, quando lhes doer as costas, quando lhes faltar o papel, quando o navio naufragar, quando a sorte mudar, quando o tempo passar depressa, quando a noite lhes fechar os olhos, quando embrulharem o poema inédito, debaixo da almofada que há-de queimar, com o peso do sonho.

ADC:aec / At the Indie Disco




ouço the divine comedy como tu comes chocolates, não sei passar sem a melodia perfeita, as palavras que se derretem na boca, os restos que sujam os dedos e que nunca ficam para trás, fechando o silêncio dentro da boca.

ADC:aec / Three Sisters




saber das coisas do mundo, perceber a origem do tempo, observar o mapa das estradas e ver como estamos longe de tudo, como não há pontes que cheguem para as margens que criamos. e depois esperar pelo outono, contar as folhas, os arrepios na pele, preparar a boca para os dióspiros, distrair o coração, se estamos sem casa.

sábado, 21 de junho de 2014

ADC:aec / Down In The Street Below




atravessa o mar e ignora o tamanho da noite, traz as saudades e os nossos brinquedos, vais ver que não pesam nada e se o mar acabar, continua a correr que eu vou no mesmo sentido, para te abraçar.


maninha, parabéns.

ADC:aec / The Lost Art Of Conversation




cura os males do mundo com as palavras certas, conversa-as no epicentro do coração, transmite-as na vibração solar do amor.

sexta-feira, 20 de junho de 2014