se fores o caminho eu serei a vereda que te ladeia. se fores a noite eu serei o candeeiro que te vela, se fores o dia, ainda assim, continuarei aceso, não vá o verão fechar-se, de repente. se fores uma árvore, eu serei a chilreada feliz, a sombra que arredonda a suculenta bondade da tarde. se fores deus, eu serei o altar, a rosácea e a cruzada pacífica que te toma o lugar no paraíso. se fores um cavalo, eu sei que arranjarei forma de te pôr asas e contrariar a fé dos incrédulos e se fores um cão, uma libélula, uma folha de hera perdida, não importa a língua com que nos desentendemos, eu serei apenas o poema que te espera.
terça-feira, 24 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
ADC:aec / In Pursuit Of Happiness
ponho-me à janela, com os braços tão longos que passaram a perna dos gerânios, a ver se chegas, com a fanfarra do verão a pôr festa à tua frente e atrás de ti apenas a parte do bilhete que diz que só pagaste a vinda. eu digo precisamente uma coisa e faço outra, fecho-me no quarto, sem ninguém, a olhar para a parte de mim que acontece, neste poema.
domingo, 22 de junho de 2014
ADC:aec / The Booklovers
herberto hélder diz a morte sem mestre, eça de queirós não acaba o romance, fernando pessoa diz em frente ao espelho. gil vicente quer o purgatório de volta, camões quer regressar ao oriente, bocage quer morrer dentro da garrafa. eugénio de andrade sabe de cor o nome das oliveiras, saramago sabe pôr glicínias na ilha árida, josé luís peixoto sabe dar a volta ao mundo. florbela espanca quer morrer antes de nascer, antero de quental quer tirar a pedra da cabeça, camilo pessanha quer contar a água do mundo. e eu quero estar com eles, quando tiverem sede, quando lhes doer as costas, quando lhes faltar o papel, quando o navio naufragar, quando a sorte mudar, quando o tempo passar depressa, quando a noite lhes fechar os olhos, quando embrulharem o poema inédito, debaixo da almofada que há-de queimar, com o peso do sonho.
ADC:aec / At the Indie Disco
ouço the divine comedy como tu comes chocolates, não sei passar sem a melodia perfeita, as palavras que se derretem na boca, os restos que sujam os dedos e que nunca ficam para trás, fechando o silêncio dentro da boca.
ADC:aec / Three Sisters
saber das coisas do mundo, perceber a origem do tempo, observar o mapa das estradas e ver como estamos longe de tudo, como não há pontes que cheguem para as margens que criamos. e depois esperar pelo outono, contar as folhas, os arrepios na pele, preparar a boca para os dióspiros, distrair o coração, se estamos sem casa.
sábado, 21 de junho de 2014
ADC:aec / Down In The Street Below
atravessa o mar e ignora o tamanho da noite, traz as saudades e os nossos brinquedos, vais ver que não pesam nada e se o mar acabar, continua a correr que eu vou no mesmo sentido, para te abraçar.
maninha, parabéns.
ADC:aec / The Lost Art Of Conversation
cura os males do mundo com as palavras certas, conversa-as no epicentro do coração, transmite-as na vibração solar do amor.
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