herberto hélder diz a morte sem mestre, eça de queirós não acaba o romance, fernando pessoa diz em frente ao espelho. gil vicente quer o purgatório de volta, camões quer regressar ao oriente, bocage quer morrer dentro da garrafa. eugénio de andrade sabe de cor o nome das oliveiras, saramago sabe pôr glicínias na ilha árida, josé luís peixoto sabe dar a volta ao mundo. florbela espanca quer morrer antes de nascer, antero de quental quer tirar a pedra da cabeça, camilo pessanha quer contar a água do mundo. e eu quero estar com eles, quando tiverem sede, quando lhes doer as costas, quando lhes faltar o papel, quando o navio naufragar, quando a sorte mudar, quando o tempo passar depressa, quando a noite lhes fechar os olhos, quando embrulharem o poema inédito, debaixo da almofada que há-de queimar, com o peso do sonho.
domingo, 22 de junho de 2014
ADC:aec / At the Indie Disco
ouço the divine comedy como tu comes chocolates, não sei passar sem a melodia perfeita, as palavras que se derretem na boca, os restos que sujam os dedos e que nunca ficam para trás, fechando o silêncio dentro da boca.
ADC:aec / Three Sisters
saber das coisas do mundo, perceber a origem do tempo, observar o mapa das estradas e ver como estamos longe de tudo, como não há pontes que cheguem para as margens que criamos. e depois esperar pelo outono, contar as folhas, os arrepios na pele, preparar a boca para os dióspiros, distrair o coração, se estamos sem casa.
sábado, 21 de junho de 2014
ADC:aec / Down In The Street Below
atravessa o mar e ignora o tamanho da noite, traz as saudades e os nossos brinquedos, vais ver que não pesam nada e se o mar acabar, continua a correr que eu vou no mesmo sentido, para te abraçar.
maninha, parabéns.
ADC:aec / The Lost Art Of Conversation
cura os males do mundo com as palavras certas, conversa-as no epicentro do coração, transmite-as na vibração solar do amor.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
ADC:aec / Becoming More Like Alfie
antes eu era magnífico, agora sou magnífico, mas com menos tempo de vida.
ADC:aec / Charmed Life
eu sei que não era a tua vez de entrar na minha vida, eu sei que não era ainda tempo de voares, de vires acompanhada de estrelas, de acordares os terrores do fim do mundo. eu sei que não eras tu quem eu esperava, se demorasse na estação, sem horário nem bilhete. eu sei que o teu nome era apenas uma flor que nasce velozmente no campo da primavera, que o teu choro era um avesso imprevisto, uma porta aberta a dar para o mar reconhecido, sem embarcação nem bússola. eu sei que no meu colo não havia espaço para ti, mas talvez seja por isso que o meu coração cresceu tanto, ao longo desta vida estranha, ocupando o universo desconhecido, para te servir de berço, agora.
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