se me deres o teu amor, eu dou-te o poema perfeito, roubado do melhor poeta, tirado da coroa do imperador, do giradiscos maravilhoso que toca há mil anos. se me deres o teu amor, eu juro que mudo este mundo e ponho de volta tudo o que tirei, devolvo a vida aos animais extintos e estampo as plantas que entretanto secaram, num lenço que dê a volta às coisas tristes, uma coisa que suba, que suba, que suba, e lá do alto nos veja aos dois, com o poema perfeito a dizer onde regressar, se faltar, de repente, a música que lhe põe o ar quente no coração.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
ADC:aec / Songs Of Love
o amor entra na poesia como a lua chega ao movimento do mar, obedece a regras simples, põe uma solenidade feliz nas palavras que se acendem, coroa de música o pensamento do coração, caminha de olhos fechados, chega onde quer.
domingo, 8 de junho de 2014
ADC:aec / Something For The Weekend
este domingo precisamos de subir à torre do sino e mesmo que ele já tenha sido roubado e derretido para tapar buracos, havemos de balançar bem alto a alegria de estarmos vivos, a meio da nossa vida, com o segredo para fazermos durar um pouco mais, esta metade que chama por nós.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
ADC:aec / Our mutual friend
não espero que o meu amor morra do teu lado, há muito que aprendi a atar-lhe uma solidão que o liberta de uma das asas, a mesma que havia de te cansar, a mesma que havia de te calar a boca, a mesma que te fizesse as malas. não espero que compreendas o espaço que este amor ocupa, que há séculos no meio do tempo que cabem no fundo de uma caixa. eu sei que não foi para seres minha que um dia me deste um pouco de ti.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
ADC:aec / A Lady Of A Certain Age
assim que morreres tudo terá passado velozmente, nenhum sorriso permanecerá, nenhum banquete ficará por digerir. o pior são mesmo os fins de tarde atrasados, os amores maltratados, as cartas por abrir, os pecados escondidos, esses ficam na metade de quem os sentiu, também.
ADC:aec / When The Lights Go Out All Over Europe
ainda temos tempo para ver o mundo acabar, as luzes diminuir na violência do silêncio, uma onda gigante engolindo séculos de destreza, as cidades povoando o fundo do mar. e nós com as mãos para dar uma volta ao nosso destino, e nós como um farol a enganar o peso da noite, e nós como uma música a perder a boca, e nós como a pedra que há-de fechar o buraco, se acabar o amor.
a divina comédia: anotada e comentada, ou seja, ADC:aec / Sunrise
que importa o lado do hemisfério, a superfície ou a profundeza das cidades, o nome que damos às nossas ruas? que importa os mapas e as chaves, os bilhetes inteiros, a poluição dos candeeiros, a vagabundância dos animais sem casa? que importa o lugar, se deixou de haver espaço neste mundo para a nossa casa?
Subscrever:
Mensagens (Atom)