domingo, 8 de junho de 2014

ADC:aec / Something For The Weekend



este domingo precisamos de subir à torre do sino e mesmo que ele já tenha sido roubado e derretido para tapar buracos, havemos de balançar bem alto a alegria de estarmos vivos, a meio da nossa vida, com o segredo para fazermos durar um pouco mais, esta metade que chama por nós.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

ADC:aec / Our mutual friend




não espero que o meu amor morra do teu lado, há muito que aprendi a atar-lhe uma solidão que o liberta de uma das asas, a mesma que havia de te cansar, a mesma que havia de te calar a boca, a mesma que te fizesse as malas. não espero que compreendas o espaço que este amor ocupa, que há séculos no meio do tempo que cabem no fundo de uma caixa. eu sei que não foi para seres minha que um dia me deste um pouco de ti.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ADC:aec / A Lady Of A Certain Age



assim que morreres tudo terá passado velozmente, nenhum sorriso permanecerá, nenhum banquete ficará por digerir. o pior são mesmo os fins de tarde atrasados, os amores maltratados, as cartas por abrir, os pecados escondidos, esses ficam na metade de quem os sentiu, também.

ADC:aec / When The Lights Go Out All Over Europe



ainda temos tempo para ver o mundo acabar, as luzes diminuir na violência do silêncio, uma onda gigante engolindo séculos de destreza, as cidades povoando o fundo do mar. e nós com as mãos para dar uma volta ao nosso destino, e nós como um farol a enganar o peso da noite, e nós como uma música a perder a boca, e nós como a pedra que há-de fechar o buraco, se acabar o amor.

a divina comédia: anotada e comentada, ou seja, ADC:aec / Sunrise



que importa o lado do hemisfério, a superfície ou a profundeza das cidades, o nome que damos às nossas ruas? que importa os mapas e as chaves, os bilhetes inteiros, a poluição dos candeeiros, a vagabundância dos animais sem casa? que importa o lugar, se deixou de haver espaço neste mundo para a nossa casa?

terça-feira, 3 de junho de 2014

sem título, outra vez, ou a chatice da falta de inspiração ou ainda a falta de paciência para adivinhar o que vou escrever a seguir:



a solidão dos montes sozinhos, abandonados pelos filhos que não nasceram, povoa-se de fora para dentro, fechando os caminhos e escondendo os portões, onde outrora o milagre da palavra tinha entrada assegurada.

domingo, 1 de junho de 2014

virar-te na página



virar-te na página é continuar contigo debaixo da minha pele, avançar nesta leitura lenta, que acrescenta personagens e submerge espaços, que enreda silêncios e põe histórias onde devia haver apenas a tua sombra. e segue inventando um umbigo ou um nome de família, para ser mais fácil traduzir a paciência e a inclinação de um amor que resiste sozinho.