ainda temos tempo para ver o mundo acabar, as luzes diminuir na violência do silêncio, uma onda gigante engolindo séculos de destreza, as cidades povoando o fundo do mar. e nós com as mãos para dar uma volta ao nosso destino, e nós como um farol a enganar o peso da noite, e nós como uma música a perder a boca, e nós como a pedra que há-de fechar o buraco, se acabar o amor.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
a divina comédia: anotada e comentada, ou seja, ADC:aec / Sunrise
que importa o lado do hemisfério, a superfície ou a profundeza das cidades, o nome que damos às nossas ruas? que importa os mapas e as chaves, os bilhetes inteiros, a poluição dos candeeiros, a vagabundância dos animais sem casa? que importa o lugar, se deixou de haver espaço neste mundo para a nossa casa?
terça-feira, 3 de junho de 2014
domingo, 1 de junho de 2014
virar-te na página
virar-te na página é continuar contigo debaixo da minha pele, avançar nesta leitura lenta, que acrescenta personagens e submerge espaços, que enreda silêncios e põe histórias onde devia haver apenas a tua sombra. e segue inventando um umbigo ou um nome de família, para ser mais fácil traduzir a paciência e a inclinação de um amor que resiste sozinho.
sábado, 31 de maio de 2014
sem título, título:
talvez a cidade acentue o declive da nossa tristeza, o estarmos sempre prontos para partir, por vezes, tantas vezes, sem nunca chegar, e uma mala sempre às costas, na ânsia desfeita de a desfazer. talvez a cidade desperte em mim um desejo absurdo de sofrer, ficar com as mãos presas na noite volante, os pés paralisados nos degraus, o coração desmusicado, com tantos gatos sem abrigo. talvez seja a cidade que me põe um poema em vez da tua boca na minha boca e eu fale sozinho, em vez de me calar na tua língua.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
sair
de vez em quando podia morrer, se houvesse lugar para onde ir e porta para escancarar no regresso.
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