sábado, 31 de maio de 2014

à porta:



à tua porta, espreito a entrada mais estreita, a frincha torta, a sombra desfeita. à tua porta, endireito o meu coração, reciclo o papel perfeito, retomo o refrão e reabito o meu peito.

sem título, título:



talvez a cidade acentue o declive da nossa tristeza, o estarmos sempre prontos para partir, por vezes, tantas vezes, sem nunca chegar, e uma mala sempre às costas, na ânsia desfeita de a desfazer. talvez a cidade desperte em mim um desejo absurdo de sofrer, ficar com as mãos presas na noite volante, os pés paralisados nos degraus, o coração desmusicado, com tantos gatos sem abrigo. talvez seja a cidade que me põe um poema em vez da tua boca na minha boca e eu fale sozinho, em vez de me calar na tua língua.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

sair

de vez em quando podia morrer, se houvesse lugar para onde ir e porta para escancarar no regresso.

terça-feira, 29 de abril de 2014

sem título




se vier a tristeza, vou encarcerar-me na fissura que o tempo rasgou nas pedras, como um escaravelho ou outro insecto brilhante.

(em construção)...



quarta-feira, 16 de abril de 2014

parar, de vez em quando:



parar, de vez em quando, para deixar os nossos olhos subir ao telhado das coisas e espreitar o milagre da paciência.




domingo, 13 de abril de 2014

uma coisa por dizer



uma coisa por dizer, que fica sempre, como a certeza de a morte de um ser o destino de todos, se não nos lembramos que devemos ser eternos, nem que por uma noite, se essa noite for aquela em que o amor acontece. uma coisa por dizer, que seja para ti, tirada de um poema que deixe escapar as palavras, se elas não fazem falta e no lugar delas permanece a música.


quinta-feira, 10 de abril de 2014


vou dormir, quer dizer, desligar esta vela intermitente que me desassossega o coração.