sexta-feira, 30 de maio de 2014
sair
de vez em quando podia morrer, se houvesse lugar para onde ir e porta para escancarar no regresso.
terça-feira, 29 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
uma coisa por dizer
uma coisa por dizer, que fica sempre, como a certeza de a morte de um ser o destino de todos, se não nos lembramos que devemos ser eternos, nem que por uma noite, se essa noite for aquela em que o amor acontece. uma coisa por dizer, que seja para ti, tirada de um poema que deixe escapar as palavras, se elas não fazem falta e no lugar delas permanece a música.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
outra:
vou estar atento, fingir que não tenho de respirar: subitamente chegas, à frente da andorinha feliz.
domingo, 6 de abril de 2014
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
# primeiro parágrafo de um conto a haver sobre o sofrimento
O sofrimento limita-te a luz, ficas pequenina à espera que tudo passe, mesmo a arca onde foste guardando as sementes das romãs e os lenços bordados, segredos para revelar um dia. Mas essa luz basta para que encontres um caminho para algum lado, onde dizem que o arco-íris guarda um pote com geleia. E tudo fica mais doce, outra vez.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
# primeiro parágrafo de um conto de natal a haver
Então tu pedes para os outros e o Natal sai veloz das tuas mãos, a escorregar-se de doces em cada um dos teus amigos, incluídos os livros de cabeceira, as árvores que vão dando cor ao teu inverno, as nuvens indecisas, como renas sem pai natal, livres, portanto. Então tu decides que o amor é uma conta simples de fazer: subtrais a tua sombra e o mundo todo acorda, feliz. Somas, assim, todos os desejos dos outros. Um outro que baste, como tu, retribui-te a maravilha. E tudo parece melhor.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
ensaio sobre o mau tempo (sem canal)
Olha, a ilha hoje acordou do lado de dentro das nuvens. Deita fora o excesso da água que pesa no coração do céu. Nem sempre é assim, que o azul é uma cor que sobrevive a todas as estações. Mas hoje não. O mar lava-se nos cabelos da terra, está turvo como, afinal, toda a distância que carrega às costas. E nós, os viventes e os sobreviventes, ficamos apenas à espera, que a ilha nos dê um sinal, uma aberta, uma página seca, para começarmos o dia.
Olha, amanhã a ilha está perdoada. Afinal, é linda mesmo quando te fecha em casa e te obriga a colher saudades.
domingo, 22 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
memorial a mário botas
a morte é uma flor
crescendo ao contrário
subiu do coração
num mundo do avesso
o pássaro do amor
iluminando o poemário
como o sol na ilustração
de um beijo espesso
a casa partiu jovem
no meio da escuridão
a palavra prometida
no vazio da parede
é agora um homem
na rosa da solidão
uma memória ferida
baloiçando sem rede
a morte é uma flor
confirmando o coração
enquanto houver fome
e durar a tempestade
enquanto o pincel da cor
distorcer-se da ilusão
haverá luz sobre o teu nome
e vida na eternidade
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
primeiro parágrafo de contos a haver #2
A casa não me chega para o ar que preciso de inclinar para dentro da minha desarrumação. As janelas parecem seres minúsculos que cintilam alguma luz quando os eclipses se alinham, as estantes estão inclinadas, caem livros e pedras do acaso. Aprendo a falar o silêncio, arranjei um amigo. Ele diz que me vai dar a mão, como um bombeiro quando tira da água o corpo esquecido da criança.
(...)
domingo, 11 de agosto de 2013
primeiro parágrafo de contos a haver #1
Voltei a casa para arrumar as coisas importantes. Alguns livros que escondem bilhetes de comboio, certificados de aforro do coração, desenhos de crianças que já não crescem mais. A caixa que trouxe debaixo do braço não chega para conter o pó que se levantou da memória. Vou ter de escolher bem o que vale a pena levar comigo. O milho rei do verão, preciosas cortinas sobre uma alegria afundada.
(...)
quarta-feira, 24 de julho de 2013
# 5
quando sonhas uma casa a primeira coisa que constróis é a porta
por lá hão-de entrar os teus sonhos alados
de asas bem abertas
uma porta com um nome feito de promessas
um doce perfeito
decorado com aquilo que desejas encontrar quando entras em casa
quando sonhas uma casa a casa não são apenas paredes que te protegem
a casa é todo o filme que diriges
os actores que dão vida às cenas mais fabulosas
os finais felizes
sucedendo-se um após o outro
para que dentro de casa não haja tristeza
quando sonhas uma casa sabes que ela vai ali estar para toda a vida
mesmo que a vida seja longa como o crescer das árvores
mesmo que a vida seja um mistério do qual fazemos parte
porque nunca sabemos ao certo para onde vamos mas porque temos uma casa sabemos
ao menos onde estamos onde adormecemos onde amamos onde acordamos
quando sonhas uma casa é lá que guardas a tua música
com todos os instrumentos que experimentaste
mesmo aqueles que avariaram de tantas vezes que os obrigaste a darem-te asas
e quem diz música diz anéis e pulseiras
brincos e outros pendentes que apenas dão brilho ao que já é belo
e quem diz todas estas coisas sabe que tudo o que é precioso
dentro de uma casa
tem um lugar para nos compor os pequenos passos que damos à procura de sermos nós próprios
sem mais nada que às vezes basta termos onde nos aninharmos para sermos felizes
que às vezes basta sabermos que ali podemos escutar o nosso coração
desapressado de todas as coisas que nos cansam. quando sonhas uma casa e sonhas acompanhado
de mão dada de olhar extenso e passo cúmplice já não estás a sonhá-la
estás a tirá-la do papel
estás a erguê-la à tua frente fazendo sombra contra a verão
estás a senti-la como um morango na tua boca
porque é real e estás dentro dela
descansado
no teu sofá
abraçado em frente a este poema
escrito na parede dos meus amores, pedro e susana (e agora Gabriel, também)
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