quarta-feira, 15 de maio de 2013
# 38
se não houver música, a beleza do mundo resume-se a um amontoado de poesia que bloqueia a aparição de deus.
sábado, 11 de maio de 2013
# 37
o caminho do amor é estreito, vai dar à garganta escarpada do silêncio sempre que te pões à espera. e és tu quem tem de compor a liana compridíssima com que te lanças para o lado da promessa. e és tu quem tem de colar as asas na boca empurrando para a frente o coração. e és tu quem sabe disto, no precipício que se avizinha, cada vez que a apólice ameaça caducar.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
# 36
quando soletras o teu sonho, fazes acontecer um porta moedas, um contentor de rosas, uma razão para usares a alegria a tiracolo. costuras três ou quatro palavras com o sentido de uma filosofia inteira e se as repetes com o cuidado de quem fotografa uma noiva, tens a certeza que irão durar, caber num bolso, num colo, no coração.
terça-feira, 30 de abril de 2013
# 35
este dia lindo que tu vês, de costas voltadas para a tristeza, fui eu que concebi com artes de costureira. primeiro era apenas uma tira de linho arquivada na última estante do esquecimento, daquelas que não dá nem para a cortina de uma gateira. depois era uma vontade de alinhavar a fertilidade sobre as cores, um voo raso de música, como andorinha chamando papoilas do fundo do silêncio. no fim era isto que nos cobre de alegria, uma luz que diz para tirarmos a roupa, arrepiarmos o corpo e acreditarmos que é tão fácil costurar o amor.
sábado, 27 de abril de 2013
# 34
creio na ocupação do mundo pelas rosas, disse a poetisa. ela que conhecia bem o peso da bruma, o envelhecer lentíssimo das casas, o inverno que dura desde os ombros do outono aos joelhos da primavera e o coração resistindo, resistindo, resistindo. creio na ocupação do mundo pelas rosas, para haver uma razão e sair à rua, aplaudir a heresia e as asas pesando, de repente, com o fulgor do ouro.
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