sábado, 6 de abril de 2013

# 18



estou cansado de tanta chuva, isto é, de não me conseguir levantar com o peso da roupa ensopada, o ter estado a noite inteira a tapar os buracos desta inundação, tantas formas de ocupares o espaço em branco. não podias ser música? ou então travessa que se inclina e aparece no centro de um poema?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

# 17



trouxe-te para dentro de casa, que é como quem diz, o meu coração desabitado e juntei-te aos livros que me ensinaram a rezar às flores, como catavento reformado a quem se pede que fique quieto.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

# 16



às vezes o amor é uma casa com uma escada interior em vez de varandas a dar para o parque. sobes a vida inteira e acrescentas os andares que são precisos, para perceberes que vale a pena chegar ao fim, ter uma porta e entrar ou então dar com uma janela no sótão e pedir aos deuses que te dêem asas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

# 15



sempre esta hesitação, falar ou guardar as mãos, dizer a cor e o ângulo das palavras ou fechar tudo dentro de uma caixa, como quando se quer semear fora de tempo e é quase certo que a semente adormeça. entretanto decidimos que o tempo se desvia para trás de nós e arrastamos uma montanha de mecanismos de paciência, com os ponteiros atravessados, a magoar a relva e as sebes de alecrim. todavia, para me salvar desta tristeza, penso que tudo isto tem que ser assim: uma espera que aperfeiçoa a arte de amar. invernos que duram o que for preciso, para a primavera valer a pena.



domingo, 31 de março de 2013

# 14



sei que vai demorar muito tempo a reencontrarmos a nossa primavera, choveu demasiado, adormecemos ao volante e batemos em todas as pedras do caminho. mas ela vai chegar, não vai? e depois podemos andar descalços e contar as maravilhas de haver ainda tempo, vai haver, não vai?


sábado, 30 de março de 2013

# 13



sabes à cor
da primavera

quando repito
o teu beijo

calcado na minha
mão

como uma linha
que promete

acordar


sexta-feira, 29 de março de 2013