quinta-feira, 28 de março de 2013

# 11




só preciso de um instante
de vez em quando

como daquela manhã
que bastou

para acordarem todas as
tulipas

quarta-feira, 27 de março de 2013

# 10



a minha alergia
preferida

ver-te regressar com os fenos
das mimosas

anunciando o que vou
sofrer

tu
em cada vaso à janela

tu
nos gatos multiplicados

tu na inquieta fermentação
das chuvas

e depois eu
a rezar para que as flores não sequem

e depois eu
a contar as vidas que ainda restam

e depois eu
a estender o corpo ensopado

e no fim
a mesma porção de terra ressequida

e no fim
o mundo sem deuses nem preguiça

e no fim
a alergia pára, o verão começa

(outra memória regressa)




# 9



ando à procura do melhor
dia para regressar

preciso de um instante
demorado

onde tudo seja perfeito
e nada falte à loucura
de van gogh

nem sequer uma mulher
com o atrevimento
do amor

ou uma arma apontada
ao esquecimento




terça-feira, 26 de março de 2013

# 8



amanhã vou subir à macieira
e contar-lhe que é tempo
de acordar

levo-lhe estas pérolas
que ajudei a hibernar
no meu coração

como promessas
que disseste valerem
pela luz da manhã






# 7




o jacarandá com as suas
primaveras trocadas

floresce as vezes que
for preciso

até perceber que a terra
é redonda



segunda-feira, 25 de março de 2013

# 6




da escuridão do silêncio
vem um poema com a
flora do amor

# 5





o óbvio seria apontar as flores
nas pontas das árvores

o azul purificado pelas
chuvas demoradas

os pássaros entrançando
os cabelos da manhã

mas o que me anima
é esta possibilidade
tão mínima

que a soma de todos os
acasos te traga de volta
a casa

repetindo a nossa
primavera