segunda-feira, 25 de março de 2013

# 5





o óbvio seria apontar as flores
nas pontas das árvores

o azul purificado pelas
chuvas demoradas

os pássaros entrançando
os cabelos da manhã

mas o que me anima
é esta possibilidade
tão mínima

que a soma de todos os
acasos te traga de volta
a casa

repetindo a nossa
primavera


sábado, 23 de março de 2013

# 4



decidi que não podia ficar à espera
da primavera

como as tulipas debaixo dos cobertores
e das ervas daninhas

às vezes podemos abrir a porta
pegar nas nossas pernas
e ir acordar mais à frente

onde somos os primeiros
a perceber

se o dia será feliz
e se valeu a pena guardar
no bolso do coração

o teu nome





sexta-feira, 22 de março de 2013

# 3




onde estás que te espero
há tanto tempo

preciso das tuas
mãos videntes

do teu nome
entrançado

onde estás que me
perco na chuva

como um baloiço
sem infância

como um poema
desancorado

desviando-se da
luz




# 2







o meu amor
entre as árvores
que me escutam

percebe uma forma
de deslocar-se
do meu coração

para o vácuo
delicado da poesia

quinta-feira, 21 de março de 2013

# 1




a primavera começa
quando perdes a conta
aos dias tristes
do silêncio

a casa abrindo as oliveiras 
enquanto sacode os livros cansados
do canto das sombras

as candeias do avesso
arejando como peças de seda
ao fim de tanto caminho

e depois um pássaro
riscando no ar
uma palavra que podia
ser nome

de flor


domingo, 17 de março de 2013

ROTEIRO DA ÚLTIMA PRIMAVERA



Aproxima-se o equinócio da primavera e, ao mesmo tempo, o dia mundial da poesia. Anuncio, assim, um projecto de escrita que durará 90 dias. Nada mais simples: um poema por dia, reservando-se o direito de a minha querida musa entrar em greve (trato-a bem, mas não podemos garantir nada)... Começo pelo título: ROTEIRO DA ÚLTIMA PRIMAVERA. Espero que gostem da ideia!

Abraço, daniel.