sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
# 1
a primavera começa
quando perdes a conta
aos dias tristes
do silêncio
a casa abrindo as oliveiras
enquanto sacode os livros cansados
do canto das sombras
as candeias do avesso
arejando como peças de seda
ao fim de tanto caminho
e depois um pássaro
riscando no ar
uma palavra que podia
ser nome
de flor
domingo, 17 de março de 2013
ROTEIRO DA ÚLTIMA PRIMAVERA
Aproxima-se o equinócio da primavera e, ao mesmo tempo, o dia mundial da poesia. Anuncio, assim, um projecto de escrita que durará 90 dias. Nada mais simples: um poema por dia, reservando-se o direito de a minha querida musa entrar em greve (trato-a bem, mas não podemos garantir nada)... Começo pelo título: ROTEIRO DA ÚLTIMA PRIMAVERA. Espero que gostem da ideia!
Abraço, daniel.
sábado, 2 de março de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
adeus:
demorei metade da minha vida a perceber que o nosso amor nunca existiu. era apenas um poema inédito, num livro cosido à mão, manuscrito com a caligrafia de um coração cego. podes esquecer-me sem remorso, podes voltar a passar por mim na rua, podes até voltar a dar-me flores, não importa. deixei de acreditar na eternidade, estou de acordo com o meu corpo que envelhece. podia morrer agora mesmo, sem ti. tudo teria valido a pena da mesma maneira. tu por fora de mim, tu por mim dentro, a cidade connosco, a cidade deserta. o tempo num segundo, a vida toda escoando como um grão através da geleia do dia. eu tenho a certeza que este é o último poema em que penso em ti. a partir de amanhã, serás outra pessoa.
domingo, 20 de janeiro de 2013
interrupção na interrupção para homenagear o poeta
os amantes sem dinheiro têm prioridade quando se abre o sol da tarde, quando as primeiras rosas decidem coroar o silêncio e a lua acorda o íntimo lótus que purifica a tristeza. os amantes sem dinheiro têm os mesmos sonhos que deus faz escorrer sobre o mundo, encharcando as cidades onde é possível flutuar com a mais leve das promessas, com o mais transparente dos abraços. os amantes sem dinheiro têm um poço absoluto onde todos os outros têm um coração, para ir buscar as moedas de ouro, com que se paga a felicidade aos pássaros e mais um dia à eternidade.
parabéns EA
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