domingo, 30 de dezembro de 2012
a música da tristeza
fiz um poema para te explicar o amor, compus uma teoria com o tempo todo que estive à tua espera: o amor é uma palavra que te procura. acabei por dizer sombras do que queria, a poesia sabe pouco do que o coração sente, do que as mãos pensam, quando pega na ideia da tua presença, na janela de todos os dias, dizendo que já não é preciso procurar mais. por isso é que há tanto silêncio à volta da poesia, quanto céu sem estrelas, quanto beijo sem boca e poetas sem tempo, guardando versos nos bolsos rotos dos casacos, alimentando os pássaros atentos, os únicos que prestam atenção à música da tristeza.
sábado, 29 de dezembro de 2012
diz-me
diz-me como é o amor do teu lado. diz-me se vês a mesma casa à nossa espera. diz-me se te sabe a rosas a lembrança da nossa sede. diz-me se te dói nalgum lado o coração que nos pertence. diz-me se a música deixou de voar, que poema ataste à tua boca, que fotografia tens na tua almofada. diz-me, é possível sermos apenas um?
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
as gaivotas
são elas que me explicam o mar: falam-me de um modo oblíquo ao peso do céu, caindo no meu coração. dizem-me desse instante que dura a vida, glorificando a luz e a leveza: para seres gaivota tens de conhecer o teu dia, medir o peso das nuvens, a espessura do vento e libertar a alma. com pedras no peito não chegas a sair do poço do silêncio, precisas de uma cantiga de amigo na tua boca, um fado nas tuas mãos, uma promessa na tua sede. o mar, depois, há-de ser simples de entender.
para a maria augusta, autora da foto e incentivadora do voo.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
natal (com asas), sem mapa, ainda:
é natal no meu coração, finalmente cresceram-me as asas. todos estes dias à espera, escrevendo cartas, traçando um caminho contra a sede que secava o poço da alegria. agora acrescento uma estrela no dia das palavras, canto um poema, elevo a luz do silêncio à condição de pássaro de fogo. posso ir ter contigo?
sábado, 22 de dezembro de 2012
regresso a casa
recupero o tempo perdido acelerando os últimos passos, pondo o coração na boca, pisando as flores. chego a casa com a volta do mundo nas minhas costas, um mundo inteiro, com céu, firmamento e o declínio dos impérios sonhados. a casa vai estar vazia, eu sei. é o lado mais frio de estar sozinho. a casa sombra das tardes aquecidas com chá de jasmim e a música a tocar para nós os dois e o mesmo livro de poesia, crescendo para os lados, como uma roseira se aguando sem tempo. abro a porta e sei que não valeu a pena ter corrido, tudo igual, como do outro lado do mundo onde fui à tua procura, silêncio, cansaço, tristeza.
um dia desinclino-me
um dia desinclino-me, vais ver. será como dizer aos invernos que me cansaram que não valeu a pena, ou resgatar-me para fora da tristeza de ter de te esperar sem me lembrar já como adormece o teu rosto. um dia endireito a minha luz e hei-de dar flor como sempre devia, vais ver. um poema crescendo para a boca de outra pessoa e tudo recomeçando outra vez, a casa caiada de fresco, os gerânios prosperando à janela, o amor ronronando no canto da varanda. um dia, vais ver, conto-te esta história sem o enredo das palavras, apenas as minhas mãos, o coração acordado.
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