quarta-feira, 17 de outubro de 2012




fiz-te um vestido
com a música
que a chuva inclinava

tirei-te as medidas
do mesmo bolso
onde o coração te esperava

subi-te a bainha
à medida exacta
com que te sonhava

mandei-te o vestido
na roda perfeita
de um poema musicado

esperei que o vestisses
descendo sobre o corpo
como um beijo recitado

e na volta mandasses
a certeza colorida
de um verão acordado




terça-feira, 16 de outubro de 2012



egon schiele não teve tempo
de chorar a morte de gustav klimt

e eu com todo o tempo de
chorar a morte deles






saí de casa para ir ter contigo
estou há mil anos
sem te encontrar

entrei em todas as noites
e a todas as constelações
te fui chamar

subi todos os mares
e em todas as praias
te quis achar

e se mais árvores houvesse
mais pássaros tinha trazido
para me ajudar






a minha casa é
tranquila

como a minha
gata

esperando
a aranha

e o seu pêndulo
invisível

a minha casa é
transparente

como a minha
aranha

fitando
a gata

e a sua sonolência
evidente




o outono
à volta do meu
cansaço

pássaro naufragado
na sonolência
das folhas

música lentíssima
como água
sem tempo

o outono
subindo pelo
meu silêncio

dióspiro magnífico
caindo no centro
da boca



segunda-feira, 15 de outubro de 2012



amei duas mil mulheres
cada vez que sai
à rua

foi da loucura
de seres a única
que nunca esqueço

domingo, 14 de outubro de 2012




és a árvore
que encomenda o coração
ao céu da manhã

baloiçando com a luz
incendeias as asas
das coisas pequenas

haver uma nuvem
para cada sonho

haver um pássaro
para cada poema

estarmos à espera
que chova

espreitando o nosso amor
enquanto assenta
nas poças do caminho