terça-feira, 16 de outubro de 2012



a minha casa é
tranquila

como a minha
gata

esperando
a aranha

e o seu pêndulo
invisível

a minha casa é
transparente

como a minha
aranha

fitando
a gata

e a sua sonolência
evidente




o outono
à volta do meu
cansaço

pássaro naufragado
na sonolência
das folhas

música lentíssima
como água
sem tempo

o outono
subindo pelo
meu silêncio

dióspiro magnífico
caindo no centro
da boca



segunda-feira, 15 de outubro de 2012



amei duas mil mulheres
cada vez que sai
à rua

foi da loucura
de seres a única
que nunca esqueço

domingo, 14 de outubro de 2012




és a árvore
que encomenda o coração
ao céu da manhã

baloiçando com a luz
incendeias as asas
das coisas pequenas

haver uma nuvem
para cada sonho

haver um pássaro
para cada poema

estarmos à espera
que chova

espreitando o nosso amor
enquanto assenta
nas poças do caminho




quarta-feira, 3 de outubro de 2012



desapaixonei-me
quer dizer
arranquei as pétalas
desta rosa

fiquei sem poema
quer dizer
os espinhos inventaram
a solidão

esqueci o teu nome
quer dizer
perdi o perfume
da eternidade








juro que não sou o mesmo
mesmo quando o espelho
virado na volta do avesso
me nega que estou velho


(TO BE CONTINUED)

terça-feira, 2 de outubro de 2012




não quero saber do fim
que se aproxima

do tempo que se esgota
e nos passa por cima

do dia que acaba
e nunca mais recomeça

da noite que vem sempre
e nos atravessa

não quero saber do incêndio
que se repete

do silêncio que se levanta
e nos derrete

da ruína que chega por trás
e nos surpreende

do deserto que se alastra
e nos apreende

só quero saber do teu nome
no meu coração

do amor e das promessas
gravadas na nossa mão