segunda-feira, 15 de outubro de 2012



amei duas mil mulheres
cada vez que sai
à rua

foi da loucura
de seres a única
que nunca esqueço

domingo, 14 de outubro de 2012




és a árvore
que encomenda o coração
ao céu da manhã

baloiçando com a luz
incendeias as asas
das coisas pequenas

haver uma nuvem
para cada sonho

haver um pássaro
para cada poema

estarmos à espera
que chova

espreitando o nosso amor
enquanto assenta
nas poças do caminho




quarta-feira, 3 de outubro de 2012



desapaixonei-me
quer dizer
arranquei as pétalas
desta rosa

fiquei sem poema
quer dizer
os espinhos inventaram
a solidão

esqueci o teu nome
quer dizer
perdi o perfume
da eternidade








juro que não sou o mesmo
mesmo quando o espelho
virado na volta do avesso
me nega que estou velho


(TO BE CONTINUED)

terça-feira, 2 de outubro de 2012




não quero saber do fim
que se aproxima

do tempo que se esgota
e nos passa por cima

do dia que acaba
e nunca mais recomeça

da noite que vem sempre
e nos atravessa

não quero saber do incêndio
que se repete

do silêncio que se levanta
e nos derrete

da ruína que chega por trás
e nos surpreende

do deserto que se alastra
e nos apreende

só quero saber do teu nome
no meu coração

do amor e das promessas
gravadas na nossa mão



sábado, 7 de julho de 2012




nesta cidade sinto-me um fado
enquanto sobe e desce
a minha solidão

inclino-me sobre o passado
é uma saudade que cresce
repetindo o meu coração

espreito a manhã cansada
na luz que o silêncio deita
no amor que eu sempre juro

e é uma canção desalinhada
um fado que se põe à espreita
enquanto eu te procuro



quando adias a tua sorte
o que te sobra é um lugar vazio
onde ninguém mais se senta