quarta-feira, 3 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
não quero saber do fim
que se aproxima
do tempo que se esgota
e nos passa por cima
do dia que acaba
e nunca mais recomeça
da noite que vem sempre
e nos atravessa
não quero saber do incêndio
que se repete
do silêncio que se levanta
e nos derrete
da ruína que chega por trás
e nos surpreende
do deserto que se alastra
e nos apreende
só quero saber do teu nome
no meu coração
do amor e das promessas
gravadas na nossa mão
sábado, 7 de julho de 2012
nesta cidade sinto-me um fado
enquanto sobe e desce
a minha solidão
inclino-me sobre o passado
é uma saudade que cresce
repetindo o meu coração
espreito a manhã cansada
na luz que o silêncio deita
no amor que eu sempre juro
e é uma canção desalinhada
um fado que se põe à espreita
enquanto eu te procuro
segunda-feira, 7 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
foto de pepe brix (nepal)
o mundo é uma construção vastíssima do silêncio. se soubermos escutar o peso das pedras vemos como tudo demorou milhões de anos a ganhar o seu lugar. cada lugar é exacto como o coração é a água pura que nos move pelo tempo das coisas e as coisas têm sempre uma forma delicada de parecerem próximas. podes chegar à montanha mais alta e dizer nunca estive aqui. depois olhas em redor e três crianças vêm ter contigo. sorriem para a tua máquina fotográfica. pegam em ti ao colo. levam-te a casa. mostram-te como se acende o fogão. como se cozinha o pão. como se come o pão. como o pão nunca custa a ganhar e o que é difícil é mesmo saber preservá-lo do bolor.
dizia que o mundo é uma construção vastíssima do silêncio. isto porque o silêncio é a poesia de todas as coisas quando não há ninguém para saber que elas existem. às vezes interrompes esse mistério e chegas a uma aldeia achada no meio de tudo. quem diz que chegaste ao fim do mundo ou quem diz que encontraste uma aldeia perdida. nunca saiu de casa nem nunca verdadeiramente se achou. este mundo não deixa ninguém ficar sozinho. nem quando morres. porque podes prosperar com a música da eternidade. sobretudo quando te deixas levar ao colo por três crianças. que elas hão-de guardar para sempre o chocolate que desembrulhaste na boca delas. como estrela que irradia mais uma fotografia e diminui a extensão do esquecimento.
sábado, 3 de março de 2012
de volta a casa
estou de volta a casa
e espero que não tenhas saído do lugar
nem tu nem o gato nem a tarde de verão do lado de fora
da nossa tristeza
estou de volta a casa
e sei de cor o poema com que me hás-de perdoar
estes anos à toa
sei a música que vou pôr a tocar
o compasso certo da respiração
o ângulo perfeito das minhas mãos
e o recuo e o avanço do amor
estou de volta a casa
para retomar o momento perfeito que houve
antes de tudo se ter perdido
na voracidade do tempo
estou aqui
onde estás?
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