quinta-feira, 12 de junho de 2014

ADC:arc / Summerhouse




lembras-te do verão que nunca acabou, da casa erguida para durar uma estação, suportada pelas palavras dóceis, os poemas perfeitos, a chuva de lado, a acompanhar a noite, a bater contra a vedação e a vedação a deixar de fora os instrumentos desafinados, os candeeiros partidos, as roupas pesadas? lembras-te do verão que nunca acabou, da tua idade suspensa, da infância recuperada, quando entrava pela noite dentro com os despojos da tarde, os joelhos soltos, a cor da fruta nas blusas? lembras-te do verão que nunca acabou, do bilhete onde te dava indicações precisas, um mapa onde marcava a colina, a fonte, o estendal, os girassóis a crescer? lembras-te do verão que nunca acabou, do tempo que demoraste a chegar, da minha paciência intacta, da minha sombra confundindo-se no alpendre, com as buganvílias e os gatos antigos? lembras-te do verão que nunca acabou, porque eu continuo à tua espera?

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