sábado, 31 de maio de 2014

à porta:



à tua porta, espreito a entrada mais estreita, a frincha torta, a sombra desfeita. à tua porta, endireito o meu coração, reciclo o papel perfeito, retomo o refrão e reabito o meu peito.

sem título, título:



talvez a cidade acentue o declive da nossa tristeza, o estarmos sempre prontos para partir, por vezes, tantas vezes, sem nunca chegar, e uma mala sempre às costas, na ânsia desfeita de a desfazer. talvez a cidade desperte em mim um desejo absurdo de sofrer, ficar com as mãos presas na noite volante, os pés paralisados nos degraus, o coração desmusicado, com tantos gatos sem abrigo. talvez seja a cidade que me põe um poema em vez da tua boca na minha boca e eu fale sozinho, em vez de me calar na tua língua.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

sair

de vez em quando podia morrer, se houvesse lugar para onde ir e porta para escancarar no regresso.