terça-feira, 29 de abril de 2014

sem título




se vier a tristeza, vou encarcerar-me na fissura que o tempo rasgou nas pedras, como um escaravelho ou outro insecto brilhante.

(em construção)...



quarta-feira, 16 de abril de 2014

parar, de vez em quando:



parar, de vez em quando, para deixar os nossos olhos subir ao telhado das coisas e espreitar o milagre da paciência.




domingo, 13 de abril de 2014

uma coisa por dizer



uma coisa por dizer, que fica sempre, como a certeza de a morte de um ser o destino de todos, se não nos lembramos que devemos ser eternos, nem que por uma noite, se essa noite for aquela em que o amor acontece. uma coisa por dizer, que seja para ti, tirada de um poema que deixe escapar as palavras, se elas não fazem falta e no lugar delas permanece a música.


quinta-feira, 10 de abril de 2014


vou dormir, quer dizer, desligar esta vela intermitente que me desassossega o coração.

abril, outra vez




a árvore cresce com o tecto inclinado da chuva, espreita os pássaros vindouros, poemas de luz, para a fotossíntese delicada do coração em flor.


livro de salmos e queixas suplementares



não temos de ir a arles para saber a cor do verão, temos a carta do nosso primeiro amor, como girassóis na água da poesia, aguentando o tempo que passa e não se repete.




segunda-feira, 7 de abril de 2014

outra:




vou estar atento, fingir que não tenho de respirar: subitamente chegas, à frente da andorinha feliz.




livro de salmos e queixas suplementares



para te ver todos os dias tenho de sobrepor o dia perfeito, andar com a cabeça tapada, iludida nos farrapos da seda, com que me cego, para a sombria solidão da manhã.

domingo, 6 de abril de 2014

livro de salmos e queixas suplementares


construí esta arca monumental, guardando um par de cada verso, um par de cada silêncio, um par de cada promessa. quando o dilúvio parar, essa ausência que me inunda de tristeza, hei-de voltar a falar, como um poeta.