segunda-feira, 19 de agosto de 2013

primeiro parágrafo de contos a haver #4



Preparei uma lista das coisas que me separam de ti. São sobretudo palavras, umas oblíquas, outras transparentes, quase todas numa língua imprópria para um coração fraco.


domingo, 18 de agosto de 2013

primeiro parágrafo de contos a haver #3



Colher pedras, arrumá-las no bolso, levá-las para casa. É exactamente o contrário de esquecer. Arranjar lastro para a memória perdurar, o peso das tardes que valeram a pena. Um dia a casa vai inclinar-se com tanta coisa, ou então o meu coração pára.

sábado, 17 de agosto de 2013

primeiro parágrafo de contos a haver #2



A casa não me chega para o ar que preciso de inclinar para dentro da minha desarrumação. As janelas parecem seres minúsculos que cintilam alguma luz quando os eclipses se alinham, as estantes estão inclinadas, caem livros e pedras do acaso. Aprendo a falar o silêncio, arranjei um amigo. Ele diz que me vai dar a mão, como um bombeiro quando tira da água o corpo esquecido da criança.


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domingo, 11 de agosto de 2013

primeiro parágrafo de contos a haver #1



Voltei a casa para arrumar as coisas importantes. Alguns livros que escondem bilhetes de comboio, certificados de aforro do coração, desenhos de crianças que já não crescem mais. A caixa que trouxe debaixo do braço não chega para conter o pó que se levantou da memória. Vou ter de escolher bem o que vale a pena levar comigo. O milho rei do verão, preciosas cortinas sobre uma alegria afundada.

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