quarta-feira, 17 de julho de 2013

# 4





o meu primeiro amor apareceu numa tarde de primavera
descaindo sobre mim com a música reduzida do silêncio
como uma sombra que se quer sem a imperfeição da luz

havia um desenho aguando para dentro das nossas flores
árvores com a admirável indulgência de não nos cobrirem
e crianças descalças agitando as redondas gotas de chuva

havia uma porta aberta que dava para uma casa só nossa
uma casa com a cama feita e janelas atadas à sede do mar
uma casa com livros antigos escutando a nossa presença
e nós de mãos dadas à espera que a porta se consagrasse

e nós tão perfeitos que a eternidade revelou o seu encanto
e assistimos a um poema que nos adormecia tão baixinho

e nós tão perfeitos que deus desistiu de ser dar aos gatos
e a poesia a tapar o fundo do poço e nós a durar a durar

1 comentário:

  1. 17 de Julho 2013!

    daniel! mas que surpresa, que saudades desta bainha.

    e deixo o poeta falar...

    "e nós tão perfeitos que a eternidade revelou o seu encanto
    e assistimos a um poema que nos adormecia tão baixinho"

    boa noite. sonhos bons.
    beijinho

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