o meu primeiro amor apareceu numa tarde de primavera
descaindo sobre mim com a música reduzida do silêncio
como uma sombra que se quer sem a imperfeição da luz
havia um desenho aguando para dentro das nossas flores
árvores com a admirável indulgência de não nos cobrirem
e crianças descalças agitando as redondas gotas de chuva
havia uma porta aberta que dava para uma casa só nossa
uma casa com a cama feita e janelas atadas à sede do mar
uma casa com livros antigos escutando a nossa presença
e nós de mãos dadas à espera que a porta se consagrasse
e nós tão perfeitos que a eternidade revelou o seu encanto
e assistimos a um poema que nos adormecia tão baixinho
e nós tão perfeitos que deus desistiu de ser dar aos gatos
e a poesia a tapar o fundo do poço e nós a durar a durar

17 de Julho 2013!
ResponderEliminardaniel! mas que surpresa, que saudades desta bainha.
e deixo o poeta falar...
"e nós tão perfeitos que a eternidade revelou o seu encanto
e assistimos a um poema que nos adormecia tão baixinho"
boa noite. sonhos bons.
beijinho