sábado, 18 de maio de 2013

# 39



às vezes a espera é insuportável, apercebemo-nos da erosão que vai acabar por levar a porta de frente, as telhas de cima, os tapetes de baixo, os sonhos de trás. às vezes a espera é insuportável, os caminhos do mundo que vão dar ao contrário do amor e os mapas que escondem, desenhados a tinta de limão e as tuas mãos, às tantas dissolvidas no teu rosto, precárias como o tempo, quando se aproxima a hora prometida.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

# 38



se não houver música, a beleza do mundo resume-se a um amontoado de poesia que bloqueia a aparição de deus.

sábado, 11 de maio de 2013

# 37



o caminho do amor é estreito, vai dar à garganta escarpada do silêncio sempre que te pões à espera. e és tu quem tem de compor a liana compridíssima com que te lanças para o lado da promessa. e és tu quem tem de colar as asas na boca empurrando para a frente o coração. e és tu quem sabe disto, no precipício que se avizinha, cada vez que a apólice ameaça caducar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

# 36



quando soletras o teu sonho, fazes acontecer um porta moedas, um contentor de rosas, uma razão para usares a alegria a tiracolo. costuras três ou quatro palavras com o sentido de uma filosofia inteira e se as repetes com o cuidado de quem fotografa uma noiva, tens a certeza que irão durar, caber num bolso, num colo, no coração.