quarta-feira, 27 de março de 2013

# 10



a minha alergia
preferida

ver-te regressar com os fenos
das mimosas

anunciando o que vou
sofrer

tu
em cada vaso à janela

tu
nos gatos multiplicados

tu na inquieta fermentação
das chuvas

e depois eu
a rezar para que as flores não sequem

e depois eu
a contar as vidas que ainda restam

e depois eu
a estender o corpo ensopado

e no fim
a mesma porção de terra ressequida

e no fim
o mundo sem deuses nem preguiça

e no fim
a alergia pára, o verão começa

(outra memória regressa)




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