a minha alergia
preferida
ver-te regressar com os fenos
das mimosas
anunciando o que vou
sofrer
tu
em cada vaso à janela
tu
nos gatos multiplicados
tu na inquieta fermentação
das chuvas
e depois eu
a rezar para que as flores não sequem
e depois eu
a contar as vidas que ainda restam
e depois eu
a estender o corpo ensopado
e no fim
a mesma porção de terra ressequida
e no fim
o mundo sem deuses nem preguiça
e no fim
a alergia pára, o verão começa
(outra memória regressa)

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