domingo, 3 de fevereiro de 2013

adeus:




demorei metade da minha vida a perceber que o nosso amor nunca existiu. era apenas um poema inédito, num livro cosido à mão, manuscrito com a caligrafia de um coração cego. podes esquecer-me sem remorso, podes voltar a passar por mim na rua, podes até voltar a dar-me flores, não importa. deixei de acreditar na eternidade, estou de acordo com o meu corpo que envelhece. podia morrer agora mesmo, sem ti. tudo teria valido a pena da mesma maneira. tu por fora de mim, tu por mim dentro, a cidade connosco, a cidade deserta. o tempo num segundo, a vida toda escoando como um grão através da geleia do dia. eu tenho a certeza que este é o último poema em que penso em ti. a partir de amanhã, serás outra pessoa.