sábado, 22 de dezembro de 2012

um dia desinclino-me

um dia desinclino-me, vais ver. será como dizer aos invernos que me cansaram que não valeu a pena, ou resgatar-me para fora da tristeza de ter de te esperar sem me lembrar já como adormece o teu rosto. um dia endireito a minha luz e hei-de dar flor como sempre devia, vais ver. um poema crescendo para a boca de outra pessoa e tudo recomeçando outra vez, a casa caiada de fresco, os gerânios prosperando à janela, o amor ronronando no canto da varanda. um dia, vais ver, conto-te esta história sem o enredo das palavras, apenas as minhas mãos, o coração acordado.

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