quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
outra vez, com álvaro de campos
vou despejar o meu coração, há muito que transborda pelas minhas mãos, jasmineiro que trepa pelas casas brancas do tempo. preciso delas para me levantar do chão, o inverno está a chegar e há gatos que não têm casa, é preciso abraçá-los antes que a noite os avarie. vou fazer como uma grande mala de viagem que se anulou: atiro-a para o meio da cama e recupero apenas um pijama: o meu coração há-de aguentar-se sem esse excesso de bagagem e eu, cansado da tristeza de estar sozinho, hei-de adormecer à janela, com um buraco no meu peito e dois gatos no meu colo, arranhando com todo o carinho, esse poema de flanela, que sobrou.
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