domingo, 16 de dezembro de 2012

elegia para newtown, depois de ver o filme detachment:


acorda. não deixes que o tempo passe sem teres amado qualquer coisa. ama o mais que puderes, mesmo quando amas sozinho. de que outra forma poderás sorrir sobre a agudeza de haver apenas uma oportunidade para tudo o que vês à tua volta? acorda. dá sentido aos teus braços e às tuas pernas e se puderes ao teu umbigo também. lembra-te de onde vieste, reata o cordão que te liga ao que é mais importante. o ricardo reis era um chato mas tinha razão quando pedia que abdicasses e fosses rei das tuas decisões. acorda, acorda, acorda. pensa nas vinte crianças que alguém igualzinho a ti matou sem que algum deus o detesse. acorda, que estás sozinho neste mundo quando dormes. acorda e vê que podes cantar e dançar a qualquer hora e há tanta poesia guardada para ti e tanta música que podes fazer quando saltas no chão e quando trepas às nuvens. acorda. pára de julgar o momento que se esforça em ser apenas o presente, o contínuo presente para desembrulhares com carinho, não tens outro natal assim, inspira, respira, transpira. acorda, acorda, acorda, acorda, acorda. a tua vida não é normal, a tua vida é incrivelmente bela, mas tens de acordar. acorda, vá lá, ao menos tu que ainda o podes fazer. bom dia.

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