sábado, 20 de outubro de 2012


Daniel Gonçalves (1975-2012)

se morreres é muito simples
põem o ano em que nasces
ao lado do ano em que desaconteces

perguntarão aos teus amigos
o que fazer ao espaço
que deixaste vago

ou que poema terá sido maior
se importa agora um gato dormindo
a sua tarde

mas não saberão dos gerânios transplantados
os cuidados precisos para os guiar no inverno
nem do livro deixado no início
nem do disco por ouvir

a promessa que devia ter chegado ao fim
a remissão dos pecados leves
a arquelogia pendente de todos os outros

não saberão da tristeza escondida
a repetida música que sempre dizia

tudo acaba sem começar


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