quarta-feira, 24 de outubro de 2012

arte poética



primeiro tens um acordar súbito
mesmo com os olhos fechados
uma música abre o teu coração

vais à procura de uma janela
e encontras um espaço
aberto sobre uma varanda

o teu corpo estremece
e sabes que o amor está próximo
como uma vela deslizando
com a tua mão
através da noite

depois deixas as palavras
retomar o seu lugar preferido
à beira da boca
que respira rente ao silêncio

e tudo pesando apenas o necessário
para não se cair
para não se evaporar
para não se escurecer

às vezes tens tempo de ressuscitar
e ver o lado de lá desse mundo
que criaste

às vezes o poema pertence-te
por uns segundos

e és feliz

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