domingo, 6 de maio de 2012


foto de pepe brix (nepal)



o mundo é uma construção vastíssima do silêncio. se soubermos escutar o peso das pedras vemos como tudo demorou milhões de anos a ganhar o seu lugar. cada lugar é exacto como o coração é a água pura que nos move pelo tempo das coisas e as coisas têm sempre uma forma delicada de parecerem próximas. podes chegar à montanha mais alta e dizer nunca estive aqui. depois olhas em redor e três crianças vêm ter contigo. sorriem para a tua máquina fotográfica. pegam em ti ao colo. levam-te a casa. mostram-te como se acende o fogão. como se cozinha o pão. como se come o pão. como o pão nunca custa a ganhar e o que é difícil é mesmo saber preservá-lo do bolor.
dizia que o mundo é uma construção vastíssima do silêncio. isto porque o silêncio é a poesia de todas as coisas quando não há ninguém para saber que elas existem. às vezes interrompes esse mistério e chegas a uma aldeia achada no meio de tudo. quem diz que chegaste ao fim do mundo ou quem diz que encontraste uma aldeia perdida. nunca saiu de casa nem nunca verdadeiramente se achou. este mundo não deixa ninguém ficar sozinho. nem quando morres. porque podes prosperar com a música da eternidade. sobretudo quando te deixas levar ao colo por três crianças. que elas hão-de guardar para sempre o chocolate que desembrulhaste na boca delas. como estrela que irradia mais uma fotografia e diminui a extensão do esquecimento.

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