quinta-feira, 17 de novembro de 2011

um poema acordado agora de um sono antigo






um círculo perfeito pássaros de giz atravessando a noite azul
pássaros de miró com uma lua de música presa ao silêncio

pássaros como uma só cotovia marcando o coração do poema
tingindo as palavras como uma romã dissolvendo o seu verão

à nossa volta nenhum baloiço se enraiza sozinho na infância
nenhum candeeiro se desliga nenhum lenço fica por tingir
tudo é límpido tudo é pacífico como num claustro de rosas

puxo para mim esta canção como se me abrigasse da chuva
como se de repente nenhum outro caminho levasse ao amor 
e cada instante fosse um rosto de paz um terraço de água
uma caravela no horizonte pondo estrelas na boca da noite

este poema que é uma carícia azulíssima nos cobrindo a boca
este poema que é uma ilha inundada numa manhã perfeita

porque os pássaros quando nos falam assim estão a sonhar
pondo pérolas como rebuçados de poesia na boca da tristeza



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