quarta-feira, 1 de junho de 2011

INSTANTE PERPÉTUO




O que vejo em ti é uma pose antiga que se fotografou no meu coração. Podia dizer a mesma coisa mostrando a única fotografia que guardo de ti. Estás de pé como uma redoma de luz contra o inverno. Por trás um relógio altíssimo a adivinhar o fim do tempo e ainda mais atrás o rio escoando. Nesse instante era para mim que olhavas e só a mim me davas atenção. Eu era um quadro antigo e os teus olhos o giz que desenhava uma promessa tão frágil. As coisas eram simples e tínhamos coragem para transgredirmos quase todas as regras. Talvez por causa disso os deuses puniram-nos a ousadia e aquilo que podia ter sido um filme foi apenas um fotograma, nem sequer um instante. Uma pose agora. Que eu altero conforme a música que toca e que, dada a distância, já não sei se é honesto ter-te deslocado da rua para um divã.

1 comentário:

  1. Fogo! Divino! Irmão à parte tu és mesmo um Grande Poeta, o Senhor da alma das palavras!

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